Durante a sessão desta quarta-feira (27), na Casa Zeferino Nunes, em Lagoa Grande, o vereador Joaquim da Rocinha(PSD) voltou a defender os agricultores afetados pela Reserva do Tatu-Bola e cobrou da governadora Raquel Lyra o envio do projeto que altera a categoria da unidade ambiental.
O parlamentar falou sobre o manifesto realizado na Ponte Presidente Dutra, organizado pela ASCAMP – Associação Comunitária dos Campesinos Afetados pela Reserva de Vida Silvestre Tatu-Bola e produtores rurais, destacando que o movimento chamou a atenção para o sofrimento enfrentado pelos agricultores do Sertão.
“Eu sei que a gente causou um transtorno muito grande para quem trafegava ali na Ponte Presidente Dutra, muitas pessoas indo trabalhar, para consulta, mas as pessoas precisam entender o sofrimento que os agricultores não só de Lagoa Grande, mas de todo o Nordeste estão passando”, afirmou.
Joaquim criticou as fiscalizações e punições aplicadas por órgãos ambientais como o IBAMA e a CPRH, alegando que muitos produtores estão sendo impedidos de produzir em propriedades herdadas da família.
“Os agricultores têm sido maltratados, têm sido enganados o tempo todo com essa reserva ambiental”, declarou.
Durante o discurso, o vereador reforçou que é defensor da preservação ambiental, mas afirmou que é preciso conciliar a proteção da natureza com o direito das famílias permanecerem e produzirem em suas terras.
“Eu sou um dos maiores defensores do meio ambiente, mas acredito que a gente precisa unificar duas coisas: a preservação do meio ambiente, mas acima de tudo a preservação do homem no seu estar”, destacou.
O parlamentar criticou o modelo atual da reserva, criada como unidade de proteção integral, afirmando que a categoria impede até mesmo a abertura de estradas e dificulta a permanência das famílias na região.
Segundo Joaquim, após diversas discussões, o Governo do Estado chegou a apresentar uma proposta para transformar a área em uma APA de uso sustentável, permitindo que os moradores continuem vivendo, produzindo e preservando o meio ambiente. No entanto, ele afirmou que o projeto ainda não foi encaminhado à Assembleia Legislativa de Pernambuco.
“Infelizmente até esse momento a governadora não mandou esse projeto para a Assembleia Legislativa, que é onde precisa ser votado para mudar de categoria”, disse.
Outro ponto criticado pelo parlamentar foi a aplicação de multas ambientais em produtores por desmatamentos realizados há mais de dez anos. Para Joaquim, os órgãos ambientais deveriam priorizar orientação e educação no campo.
“O entendimento do produtor é que, se a lei obriga preservar 20% da propriedade, ele pode produzir nos outros 80%. Então é preciso orientar, explicar como deve ser feito, e não apenas multar”, afirmou.
Joaquim ainda relatou casos de propriedades interditadas e produtores impedidos até mesmo de criar animais nas áreas rurais.
“Tem porteira lacrada dizendo que você não pode colocar um animal, e multa de R$ 5 mil por dia. A gente precisa abrir os olhos de quem está lá em Brasília para garantir o direito de quem trabalha dignamente na roça”, concluiu.
Vale destacar que o vereador Joaquim da Rocinha, além de agricultor e criador, também reside no interior e teve sua propriedade afetada pela reserva.

