Durante entrevista concedida à Rádio Lagoa Grande FM, no programa Notícias em Destaque nesta segunda(12), a coordenadora Especial de Atenção à Mulher do município, Iara Evangelista, falou sobre os desafios no enfrentamento à violência doméstica, a importância do acolhimento contínuo às vítimas e as ações desenvolvidas em parceria com o Governo do Estado e a Prefeitura de Lagoa Grande.
Iara explicou que o acompanhamento das mulheres atendidas não se limita ao primeiro contato. Segundo ela, quando uma mulher falta a um atendimento já agendado e não apresenta justificativa, a equipe entra em contato para saber o que aconteceu e oferecer apoio.
“A gente mantém contato constante. Se a mulher falta e não justifica, ligamos, mandamos mensagem, perguntamos como ela está e se precisa de ajuda. Muitas vezes, a ausência acontece por pressão do companheiro”, destacou.
Violência psicológica deixa marcas profundas
Iara chamou atenção para os danos causados pela violência psicológica, que muitas vezes são invisíveis, mas deixam marcas profundas e duradouras.
“A violência física dói, mas a psicológica machuca de um jeito diferente. Uma palavra pode ficar na mente da mulher por anos, causar traumas e fazer com que ela se feche, se retraia e deixe de buscar ajuda”, afirmou.
Segundo a coordenadora, muitas mulheres acabam se isolando dentro de casa, sem que a própria família saiba o que elas estão enfrentando. Por isso, o trabalho da equipe é descrito por ela como um “trabalho de formiguinha”, baseado no acolhimento, na escuta e na construção de confiança.
Parceria com o Governo do Estado fortalece os serviços
Durante a entrevista, Iara também destacou a parceria entre o município de Lagoa Grande e o Governo de Pernambuco no fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres. Ela lembrou que, em 2025, o município recebeu um kit mobiliário e um veículo destinado ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher, ampliando a estrutura e a capacidade de atendimento.
“Existe hoje um olhar diferente para essa pasta. O carro, por exemplo, chegou para fortalecer o nosso serviço e facilitar o acompanhamento dos casos”, explicou.
Para Iara, o fato de a gestão municipal e o Governo do Estado serem liderados por mulheres contribui para um diálogo mais próximo e uma maior sensibilidade com a causa feminina.
Prevenção começa nas escolas
Outro ponto de destaque foi o anúncio de um projeto que será desenvolvido nas escolas do município. A iniciativa tem como objetivo trabalhar a prevenção da violência desde a infância.
“A prevenção precisa começar com as crianças. É importante trabalhar com meninos e meninas, adolescentes e jovens, para que eles cresçam entendendo que a violência não pode ser naturalizada”, disse.
Ela ressaltou ainda a importância de respeitar as etapas da vida e conscientizar crianças e adolescentes sobre responsabilidades, relacionamentos saudáveis e projetos de futuro.
Onde buscar ajuda em Lagoa Grande
Iara Evangelista reforçou que o Centro Especializado de Atendimento à Mulher está de portas abertas para acolher mulheres vítimas de violência.
Endereço: Rua Agamenon Magalhães, bairro Chafariz, próximo à igreja evangélica
Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h
“Se você está passando por alguma situação de violência, não pense duas vezes. Procure ajuda. Existe uma rede preparada para acolher, orientar e ajudar a romper esse ciclo”, afirmou.
Mensagem às mulheres
Ao final da entrevista, Iara deixou uma mensagem direta às mulheres que enfrentam situações de violência ou que desejam ocupar mais espaços na sociedade:
“Levantem a cabeça. Vocês não estão sozinhas. A mulher pode e deve buscar seus sonhos, assumir cargos, crescer e viver sem violência. O amor não sangra, não causa dor. Diálogo e respeito são a base de qualquer relação.”
A entrevista reforçou a importância da atuação integrada entre assistência social, saúde, educação e segurança pública, mostrando que o enfrentamento à violência contra a mulher é um trabalho coletivo e contínuo.

