Audiência pública em Petrolina reforça mobilização pró Canal do Sertão Pernambucano, reúne autoridades e lideranças políticas

O auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, recebeu na última segunda-feira (22) uma ampla mobilização em defesa da implantação do Canal do Sertão Pernambucano. A audiência pública reuniu lideranças políticas, representantes de movimentos sociais, agricultores, entidades de classe, instituições de ensino e pesquisa, além de representantes de diversos municípios dos sertões do São Francisco, Araripe e Sertão Central.

O encontro foi marcado pela defesa da obra como uma das principais alternativas para garantir segurança hídrica, fortalecer a agricultura e impulsionar o desenvolvimento econômico e social do interior de Pernambuco. Durante a abertura dos trabalhos, os organizadores destacaram que a audiência faz parte de um movimento construído de forma coletiva ao longo de 2026, com a realização de importantes debates sobre a pauta, incluindo audiências públicas promovidas pela Câmara Municipal de Trindade e pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Segundo as lideranças presentes, a mobilização tem crescido e fortalecido o diálogo regional em torno de uma luta histórica do povo sertanejo. A avaliação é de que o Canal do Sertão representa uma oportunidade concreta de transformação para milhares de famílias, por meio da ampliação do acesso à água, da geração de emprego e renda, do fortalecimento da agricultura familiar e da promoção de justiça territorial para regiões historicamente afetadas pela escassez hídrica.

Representantes políticos se fizeram presentes e reafirmaram um compromisso histórico com o direito à água para todos. A forte participação da sociedade civil organizada, movimentos sociais, agricultores familiares, sindicatos, associações comunitárias, instituições de ensino, pesquisadores e lideranças religiosas foi apontada como uma demonstração da importância da obra para o futuro do Sertão pernambucano.

O evento contou com a participação de Francisco Paschoal, da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e do Comitê do Canal do Sertão; Antônio Fernando, vice coordenador do movimento; Gildevan Tavares, coordenador e presidente do Comitê Pró Canal do Sertão; Lamarth Piancó; Guilherme Coelho, presidente do Conselho de Administração da Embrapa; o ex-deputado Odacy Amorim; Raimundo Pimentel, assessor especial da Casa Civil de Pernambuco; e a deputada estadual Socorro Pimentel.

Lagoa Grande marcou presença com uma expressiva comitiva formada pelos vereadores Joaquim da Rocinha, Lindacir Amorim, Professor Vavá, Juciara Resende e Augusta Borges. Também participaram o vice-prefeito Olavo Marques, o ex-prefeito Vilmar Cappellaro, atualmente assessor especial da Casa Civil, o diretor-presidente da Agência de Defesa do Meio Ambiente (ADMA), Reginaldo Alencar, o presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável, Ivo Lopes, além de representantes do distrito de Jutaí, Açude Saco e de outras comunidades rurais.

O evento ainda reuniu vereadores e lideranças políticas de Petrolina, Santa Filomena, Cedro, Santa Cruz da Venerada, Ouricuri e de diversos municípios do Araripe. Entre os participantes estavam o ex-prefeito de Ouricuri, Ricardo Ramos, além de representantes institucionais, técnicos, agricultores e membros da sociedade civil organizada que defenderam a necessidade de acelerar os estudos e garantir a execução do projeto.

Considerado um dos projetos mais importantes para o desenvolvimento do semiárido pernambucano, o Canal do Sertão tem como objetivo levar água do Rio São Francisco para regiões historicamente afetadas pela seca. O projeto prevê a captação de água no Lago de Sobradinho, no município de Casa Nova (BA), seguindo por um traçado que integra os sertões do São Francisco, do Araripe e do Sertão Central, beneficiando diretamente os municípios de Petrolina, Rajada, Afrânio, Dormentes, Lagoa Grande, Santa Filomena, Santa Cruz da Venerada, Ouricuri, Trindade, Ipubi, Araripina, Granito, Parnamirim, Serrita, Cedro, Bodocó, Exu e Moreilândia.

Além de ampliar a segurança hídrica para milhares de famílias, o empreendimento possui potencial para irrigar cerca de 120 mil hectares, fortalecendo a agricultura, atraindo investimentos, gerando empregos e impulsionando o desenvolvimento econômico de uma das regiões mais afetadas pelos períodos de estiagem no Nordeste.

A obra é historicamente associada ao ex-deputado federal Osvaldo Coelho, que idealizou e defendeu o projeto durante décadas. O Canal do Sertão era tratado pelo parlamentar como um dos seus maiores sonhos para transformar a realidade do interior de Pernambuco. Após sua morte, a defesa da iniciativa continuou sendo conduzida por aliados e familiares, especialmente por Guilherme Coelho, que tem reiterado a necessidade da execução integral do projeto.

Agora em 2026, o tema voltou ao centro das discussões políticas estaduais com a instalação, pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, de uma comissão especial destinada a acompanhar a implantação do Canal do Sertão. A medida reforçou a retomada do debate sobre a obra e a necessidade de mobilização regional para garantir sua efetivação.

Um dos momentos mais importantes da audiência foi a leitura e aprovação da Carta dos Sertões em Defesa do Canal do Sertão de Pernambuco, documento construído coletivamente por representantes dos municípios, movimentos sociais, entidades de classe, agricultores, instituições e lideranças políticas presentes. A carta reafirma a importância estratégica da obra para o desenvolvimento do semiárido e defende o compromisso dos governos estadual e federal com a execução integral do projeto.

O documento destaca que o Canal do Sertão é uma reivindicação histórica da população sertaneja e uma ferramenta fundamental para garantir segurança hídrica, ampliar oportunidades econômicas e promover justiça social em diversas regiões do Estado. A carta também reforça a união dos sertões do São Francisco, do Araripe e do Sertão Central em torno de uma pauta comum: assegurar o acesso à água como instrumento de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população.

Ao longo dos debates, os participantes ressaltaram que o Canal do Sertão não representa apenas uma obra de infraestrutura hídrica, mas uma política pública capaz de transformar a realidade econômica e social do interior pernambucano. Também lembraram que, ao longo dos anos, discussões sobre o traçado e a área de abrangência do canal geraram preocupações entre lideranças e especialistas, que defendem a preservação do projeto original idealizado por Osvaldo Coelho para garantir o atendimento ao maior número possível de municípios e comunidades.

Ao final da audiência, ficou evidente o consenso entre as lideranças de que a união dos municípios, das entidades representativas e das forças políticas da região será fundamental para fortalecer a mobilização e ampliar a pressão junto aos governos estadual e federal, transformando o Canal do Sertão em realidade e consolidando uma das mais importantes reivindicações históricas do povo sertanejo.

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