A audiência pública sobre o Canal do Sertão Pernambucano, realizada na última segunda-feira (22), no auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, foi marcada por uma série de reivindicações de lideranças políticas da região.
Entre elas, o vereador Joaquim da Rocinha chamou a atenção para a necessidade de garantir que Lagoa Grande seja efetivamente contemplada pelo projeto, especialmente por meio da perenização do Rio Garça e da ampliação das áreas irrigadas no município.
Ao iniciar sua participação, o parlamentar destacou que a obra representa um sonho antigo dos moradores do Sertão e que a expectativa em torno do Canal do Sertão é compartilhada por toda a população da região.
“Como sertanejo, todo mundo sonha com esse Canal do Sertão”, afirmou.
Demonstrando preocupação com a forma como os estudos vêm sendo conduzidos, Joaquim dirigiu um apelo ao comitê gestor responsável pelo projeto para que a perenização do Rio Garça seja oficialmente inserida no planejamento da obra. Segundo ele, a população não pode deixar a audiência apenas com a expectativa de que a medida possa acontecer futuramente.
“Eu queria aqui fazer uma proposta, pedir ao comitê gestor que colocasse no estudo e no projeto para ser perenizado o Rio Garça, para o Rio Garça atender o Açude Saco II. Nós não podemos sair daqui só achando que o Rio Garça pode ser perenizado. Nós precisamos sair daqui com a certeza que vai estar no projeto, que o Rio Garça vai ser perenizado”, declarou.
O vereador ressaltou que o debate não deve ficar restrito apenas à chegada das águas, mas também aos benefícios concretos que elas poderão proporcionar para a economia e para a produção agrícola de Lagoa Grande. Nesse sentido, ele cobrou estudos técnicos que apontem o potencial de irrigação do município, afirmando que os documentos apresentados durante a audiência não contemplam a realidade local.
“Queremos ir mais além. Queremos os estudos de quantos hectares podem ser irrigados no município de Lagoa Grande, porque no documento não tem nenhum hectare no município de Lagoa Grande”, destacou.
Joaquim argumentou que a ausência desses números preocupa, principalmente diante da vocação agrícola da região. Segundo ele, as áreas localizadas ao longo do Rio Garça possuem grande potencial produtivo e poderiam se transformar em importantes polos de desenvolvimento econômico caso fossem contempladas pelo projeto.
“Nós temos uma terra fértil ali, onde desce o Rio Garça até o Açude Saco II, descendo até Santa Maria da Boa Vista. É uma das melhores terras do nosso município de Lagoa Grande”, afirmou.
Durante o pronunciamento, o vereador também fez uma comparação com outras regiões reconhecidas pela produção agrícola no estado, destacando que as terras de Lagoa Grande possuem condições semelhantes para o desenvolvimento de projetos irrigados.
“Pode ter certeza que não faz diferença do Araripe”, disse.
Ao longo da fala, Joaquim reforçou a necessidade de união entre a população, lideranças políticas e representantes da sociedade civil para que as reivindicações de Lagoa Grande sejam efetivamente consideradas no planejamento do Canal do Sertão. Para ele, o momento exige mobilização e participação popular para garantir que o município não fique à margem de uma das obras hídricas mais importantes para Pernambuco.
“Vamos sonhar junto”, convocou.
O parlamentar também agradeceu a presença dos moradores de Lagoa Grande que participaram da audiência e pediu que a mobilização continue nos próximos passos do projeto.
“Quero aqui agradecer a todos vocês de Lagoa Grande que vieram. Vamos seguir firmes, porque unidos jamais seremos vencidos. Conto com vocês para juntar nessa luta”, declarou.
Ao encerrar sua participação, Joaquim da Rocinha defendeu que futuras audiências públicas sejam realizadas em Lagoa Grande, permitindo que a população acompanhe mais de perto a evolução dos estudos e do planejamento do Canal do Sertão. Ele voltou a cobrar garantias concretas para o município e criticou a falta de definições objetivas sobre os benefícios que a cidade receberá.
“Quem sabe uma audiência dessa lá em Lagoa Grande e a gente já venha com todo o planejamento, com todo o projeto, Lagoa Grande sendo incluída de fato e de direito, não só em palavra que ‘pode ser’. Essa palavra ‘pode ser’ nós não queremos. Nós queremos números no real”, concluiu.
A fala do vereador foi uma das manifestações em defesa da ampliação dos benefícios do Canal do Sertão para municípios do Sertão do São Francisco, especialmente aqueles que buscam assegurar, desde já, a inclusão de obras complementares e de projetos de irrigação capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico e agrícola da região.

