A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) anunciou a prorrogação, até esta quinta-feira (7), das intervenções no Sistema de Abastecimento de Água que atende o município de Lagoa Grande. Os trabalhos, iniciados na manhã da quarta-feira (6), seguem em andamento devido ao nível de complexidade das obras de ampliação da estrutura hídrica.
Segundo a companhia, a extensão do prazo é necessária para garantir a execução adequada das melhorias no sistema que também beneficia o distrito de Izacolândia, localizado em Petrolina. Durante esse período, o fornecimento de água permanece temporariamente suspenso nas áreas atendidas.
A Compesa destaca que a intervenção na estação elevatória é uma etapa estratégica para ampliar a capacidade de operação do sistema e melhorar o abastecimento futuro. Após a conclusão dos serviços, a distribuição de água será retomada de forma gradativa, até que o fornecimento esteja completamente normalizado em todas as localidades afetadas.
O Rio São Francisco, que corta Minas Gerais e boa parte da Região Nordeste, está com o nível acima da cota de alerta e em processo de subida em algumas cidades mineiras e baianas.
Os dados são do mais recente boletim do Sistema de Alerta Hidrológico da bacia, divulgado na manhã desta quinta-feira (29).
No município de Pedras de Maria da Cruz (MG), o nível atual do rio passou dos 7,5 metros (m), quase 2m acima da cota de inundação.
Na cidade mineira de São Francisco e nos municípios baianos de Carinhanha e Bom Jesus da Lapa, as águas já subiram acima das margens, causando alagamentos em algumas áreas.
Cerca de 150 mil pessoas vivem nessas quatro cidades.
Com a cheia do São Francisco e dos afluentes que cortam a região, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais considera “moderada” a possibilidade de enxurradas nas cidades, entupimento de córregos e alagamentos em áreas rebaixadas com problemas de drenagem.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil, em mais da metade das estações de monitoramento ao longo do Rio São Francisco, a previsão é que o nível das águas se mantenha abaixo da cota de alerta, sem probabilidade próxima de inundação.
O período de chuvas na região da Bacia do Rio São Francisco começou em novembro e deve durar até, pelo menos, o mês de março.
O Açude Saco II, um dos principais reservatórios hídricos do Sertão do São Francisco, entrou em colapso total em decorrência da estiagem prolongada que atinge a região. A situação tem provocado sérios prejuízos à agricultura, à criação de animais e à atividade pesqueira, afetando diretamente a economia e a subsistência de centenas de famílias.
Construído pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na década de 1960, o açude está localizado no Riacho das Graças, na divisa entre os municípios de Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista. Com capacidade de armazenamento de aproximadamente 123 milhões de metros cúbicos de água e cerca de 36 quilômetros de extensão, o reservatório sempre teve papel estratégico no abastecimento hídrico e no desenvolvimento produtivo da região.
De acordo com registros históricos, o Açude Saco II verteu pela última vez em 2004. Desde então, a redução gradual do volume de água, agravada pela irregularidade das chuvas, culminou no atual cenário de colapso hídrico.
O esvaziamento do reservatório tem causado impactos severos na produção agrícola, na manutenção de rebanhos e na pesca, comprometendo a renda de agricultores, criadores e pescadores. Além dos prejuízos econômicos, comunidades rurais passaram a depender cada vez mais de ações emergenciais de abastecimento, especialmente da operação carro-pipa.
Diante da gravidade da situação, moradores e produtores cobram medidas urgentes do poder público. Entre as principais reivindicações estão a ampliação da operação carro-pipa, a perfuração de poços artesianos e a implantação de uma adutora, apontada como solução estrutural para garantir segurança hídrica e permitir a permanência das famílias no campo.
A população alerta que, sem ações imediatas e definitivas, o colapso do Açude Saco II pode aprofundar ainda mais a crise social e econômica no Sertão do São Francisco.
Após as cheias registradas em Minas Gerais, o nível do Rio São Francisco voltou a subir em Bom Jesus da Lapa, no Oeste da Bahia. Na manhã desta terça-feira (27), a medição realizada na ponte Gercino Coelho apontou 5,16 metros, conforme dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).
O índice representa o maior nível do rio no trecho baiano neste ano, informou o Notícias da Lapa, parceiro do Bahia Notícias.
A elevação é consequência do aumento do volume de água proveniente dos afluentes do Velho Chico no Norte de Minas Gerais, entre eles os rios Abaeté, Velhas, Paracatu e Urucuia. Esses cursos d’água foram impactados pelas chuvas associadas à atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
Apesar da alta, o nível do rio na Bahia ainda não atingiu patamares que provoquem alagamentos, embora já esteja acima das médias históricas para o período.
Moradores ribeirinhos, pescadores e comunidades locais acompanham a situação com atenção. A expectativa é de que o Rio São Francisco continue subindo nos próximos dias, favorecendo o transbordamento natural e o enchimento de lagoas marginais, como a Lagoa da Lapa. Esses ambientes são considerados cruciais para a pesca artesanal, a agricultura familiar e o abastecimento de água na região.
O aumento do nível do rio também contribui para a segurança hídrica local, especialmente após períodos prolongados de estiagem. No início de janeiro, o Rio São Francisco chegou a registrar apenas 3,78 metros em Bom Jesus da Lapa, índice considerado abaixo do esperado para a época.
Conforme o boletim mais recente do SGB, o pico da cheia permanece concentrado no Norte de Minas Gerais, entre os municípios de São Francisco e Pedras de Maria Cruz, onde a cota de inundação já foi ultrapassada. No município de São Francisco, o nível do rio atingiu 8 metros durante a noite e a previsão é de que chegue a 8,10 metros ao longo desta terça-feira, com vazão estimada em 4,7 mil metros cúbicos por segundo.
As projeções indicam que os efeitos das cheias em Minas Gerais devem levar cerca de dez dias para alcançar o reservatório da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, no Norte da Bahia. Atualmente, o reservatório opera com aproximadamente 44,75% do volume útil.
A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC) de Lagoa Grande emitiu um alerta sobre a tendência de precipitação até o próximo domingo, dia 25/01. Segundo o órgão, nos dias 21, 22 e 25, a previsão indica pancadas de chuva variando de moderada a fraca. Já nos dias 23 e 24 não há possibilidade de chuvas.
De acordo com a COMPDEC, os acumulados das últimas horas foram: Sede com registro de 25mm; Jutaí 29,5mm; Barra Bonita 45mm e Assentamento Panelas, com 35mm. Conforme o órgão, devido as pancadas irregulares, foi observado que em algumas localidades o acumulado chegou a 70 mm.
Para Erioneide Izabel, coordenadora da COMPDEC, a volta da chuva traz felicidade, mas é importante também que a população fique em alerta. Erioneide ainda enfatizou que as equipes da prefeitura estão em atenção para atender a população lagoa-grandense.
Foto: Everaldo de Souza Ramos – jornalista
Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Lagoa Grande