Um episódio envolvendo o vereador Dhiego Serra (PL), de Petrolina, e estudantes da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) provocou repercussão política nesta quinta-feira (8). O caso aconteceu no Campus Sede da instituição, durante a mobilização de estudantes e movimentos sociais em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O parlamentar foi ao local para questionar a realização da atividade político-eleitoral e a presença de cartazes relacionados ao ato. A abordagem provocou uma discussão com estudantes, que defenderam o direito à manifestação política no ambiente universitário. O episódio gerou momentos de tensão no hall da Biblioteca Central.
Segundo relatos publicados pela imprensa regional, o vereador questionou a utilização do espaço universitário para a divulgação de material político. Estudantes reagiram à intervenção, argumentando que a universidade pública também é um espaço de debate e participação democrática.
Justiça Eleitoral autorizou a manifestação
Antes da realização do evento, o Partido Liberal (PL) em Petrolina havia acionado a Justiça Eleitoral para questionar a mobilização. A legenda levantou dúvidas sobre a utilização das instalações de uma universidade pública para uma atividade de caráter político-eleitoral.
Ao analisar o caso, a Justiça Eleitoral assegurou a realização pacífica do ato e determinou que Dhiego Serra se abstivesse de praticar ações destinadas a impedir, suspender, dissolver ou constranger a manifestação.
A decisão também esclareceu que eventuais denúncias de irregularidades eleitorais deveriam ser encaminhadas à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público Eleitoral, não cabendo ao vereador substituir as autoridades responsáveis pela fiscalização.
Reitor da Univasf se manifesta
Após o episódio, o reitor da Univasf, Télio Nobre Leite, defendeu a autonomia universitária e a liberdade de expressão. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (9), ele afirmou que o vereador não procurou formalmente a Administração Superior da instituição para apresentar denúncias ou questionamentos sobre possíveis irregularidades eleitorais.
“Em nenhum momento o vereador buscou a Administração Superior para apresentar quais foram as irregularidades eleitorais que estavam sendo cometidas no espaço aqui da nossa universidade”, declarou o reitor.
Télio Nobre Leite ressaltou que a universidade deve ser um ambiente aberto ao pluralismo, ao debate de ideias e à livre manifestação, respeitando a legislação e os direitos da comunidade acadêmica.
O reitor também afirmou que a instituição está apurando os fatos e poderá adotar as medidas cabíveis, caso necessário.
Caso amplia debate sobre política nas universidades
O episódio colocou em evidência a discussão sobre os limites da propaganda eleitoral em instituições públicas de ensino superior e a garantia da liberdade de manifestação política.
Enquanto o questionamento apresentado pelo PL envolveu o uso do espaço universitário para uma mobilização eleitoral, estudantes e representantes da universidade defenderam a liberdade de expressão e a autonomia institucional.
A repercussão do caso mantém em debate a relação entre fiscalização eleitoral, atuação de agentes públicos e o direito à manifestação pacífica em espaços universitários.

