Da “humilhação” ao perdão, a linha do tempo da briga de Flávio e Michelle

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro anunciaram nesta quinta-feira (23), através das suas próprias redes sociais, uma “trégua” do desentendimento público que ambos têm protagonizado no último mês, desde que ela publicou dois vídeos e, ao longo de 26 minutos, expôs pela primeira vez um atrito com o enteado e pré-candidato a presidente.

Os vídeos de Michelle foram publicados em 24 de junho e, neles, a ex-primeira dama critica Flávio por apoiar, juntamente com o deputado André Fernandes (PL-CE), uma aliança deo PL (Partido Liberal) com Ciro Gomes (PSDB), enquanto defendia que o partido apoiasse Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará no primeiro turno.

Desde a publicação, que “caiu como uma bomba” na família Bolsonaro e no PL, Flávio e Michelle travaram uma queda de braços nos bastidores, que só se resolveu com o vídeo publicado por Flávio nesta quinta-feira (23). Na postagem, o pré-candidato pediu novamente desculpas à ex-primeira-dama e renovou o convite para que eles caminhem “juntos na missão de defender o Brasil”.

“De coração aberto”

No dia seguinte à publicação do vídeo, em 25 de junho, Flávio Bolsonaro respondeu às acusações feitas pela madrasta de que ela teria sido desrespeitada e humilhada durante uma ligação telefônica. Em suas redes sociais, o pré-candidato pediu desculpas públicas e disse que estaria “de coração aberto para ela”.

Apesar da primeira tentativa de reconciliação, Flávio foi aconselhado a manter a “cabeça fria” ao lidar com a situação para não desgastar sua imagem com o eleitorado feminino e evangélico, duas bases fortes de Michelle.

Dentro do PL, as reações eram mistas à época. Conforme noticiou a CNN, alguns integrantes da sigla avaliaram que Michelle teria extrapolado os limites ao expor os atritos com o enteado e que buscava um protagonismo que não cabia à ela. Já aliados do PL Mulher — ala que era presidida por Michelle — afirmaram que o vídeo foi uma defesa dela contra ataques e mentiras que a miravam.

Com o abalo dentro da família e da pré-campanha, o presidente do PL Valdemar Costa Neto tentou colocar panos quentes na situação no mesmo dia em que Flávio se desculpou. Naquele momento, Valdemar afirmou que admirava “a coragem dos que defendem aquilo que acreditam”.

Da parte de Michelle, no dia seguinte ao vídeo, uma de suas primeiras manifestações foi apaziguar o conflito. “Não há briga, nem competição”, afirmou.

Uma das primeiras atitudes de Flávio nos bastidores, de acordo com a apuração feita pela CNN, foi procurar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para entender se ele teve conhecimento prévio do vídeo antes da divulgação.

Versículos em jogo

No dia 26 de junho, dois dias após o vídeo, Michelle e a esposa de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro, trocaram indiretas nas redes sociais. A ex-primeira-dama publicou uma mensagem de cunho bíblico que enfatizava punições divinas a “quem profere mentiras”.

“A falsa testemunha não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá. Salmo 34:13″, escreveu Michelle. O Salmo citado pela presidente do PL Mulher diz: “Guarde a sua língua do mal e os seus lábios de proferir mentiras“, considerado uma lição sobre a importância de manter a integridade de declarações.

Em resposta, Fernanda publicou uma mensagem que reclamava daqueles que estimulavam “contenda entre irmãos”. “Provérbios 6:16-1. Há seis coisas que o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos”.

Apesar das rusgas entre sua esposa e Michelle, Flávio minimizou o impacto do vídeo durante conversa com jornalistas em Goiás, antes de uma romaria. No evento, afirmou que o episódio era “página virada”, enquanto vestia uma camiseta branca “da paz”. No mesmo dia, ele foi conversar com seu pai.

Fogo amigo

No dia 29 de junho, duas situações chamavam a atenção: a provável ausência de Michelle no encontro que Flávio organizava com mulheres conservadoras, algo que já era dado como certo nos bastidores; e as críticas do jornalista Paulo Figueiredo contra a ex-primeira-dama.

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