PF apreende passaporte de Flávio Bolsonaro, que volta a questionar resultado das urnas

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro

O candidato derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro (PL), voltou a dizer que pedirá a anulação das eleições ao divulgar que teve seu passaporte apreendido pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (26). A ordem foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador, que perde o foro privilegiado ao fim do mandato, em janeiro, acusou ainda, sem provas, a campanha de Lula de ter utilizado dinheiro público para comprar votos.

“Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, em que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição”, disse Flávio Bolsonaro.

A fala de Eduardo mencionada ocorreu em um podcast. Ele disse: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”.

Investigação

Flávio Bolsonaro é investigado por seu envolvimento com Daniel Vorcaro, fundador do banco Master. A PF aponta que ele é suspeito de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Claudio Gonçalves Couto disse que há base para a retenção de passaporte e recordou outros bolsonaristas que fugiram do país em meio às investigações. “A gente tem o caso do Allan dos Santos, da Carla Zambelli, ou seja, uma série de bolsonaristas que cometeram crimes no Brasil e se evadiram do país para evitarem ser presos.”

Ele ponderou que a tentativa golpista de Flávio seria provavelmente insuficiente para mantê-lo no país. “Talvez o medo de ser preso supere qualquer tipo de pudor que ele possa ter, inclusive do ponto de vista do desgaste político que isso causaria. Então acho que é daí que vem a precaução do ministro Alexandre Moraes em relação a essa situação.”

Golpismo

Flávio Bolsonaro imitou o gesto de seu pai e não reconheceu o resultado das urnas. Ainda na noite de domingo (25), ele disse: “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal”.

No vídeo publicado nesta segunda (26), Flávio voltou a repetir o argumento. “Eu vou pedir sim a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual.”

A “mudança de jogo” referida por Flávio foi a determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que as eleições fossem prorrogadas até as 19h, devido às dificuldades de mobilidade da população para chegar às zonas eleitorais. Em diversas regiões tradicionalmente lulistas, o transporte público operou com frota reduzida, desobedecendo à determinação da própria Justiça Eleitoral de que fosse garantido acesso ao local de votação.

No entanto, a própria campanha de Flávio pediu a postergação do tempo de votação na região Sul, onde o mau clima também atrapalhava o acesso às zonas eleitorais. Couto também criticou a tentativa de Flávio de anular o processo eleitoral. “Apesar de eles mesmos terem pedido a extensão do período de votação, ao se conceder essa extensão, isso for uma mudança de regras do jogo no meio do jogo. Uma coisa que não tem cabimento, né?”

A campanha do PT estendeu o pedido a todo o país. Além disso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, acatou a extensão de Zanin e reconheceu a lisura do processo. Por fim, os votos computados após as 17h representaram cerca de 35 mil. A vitória de Lula ocorreu por mais de 4 milhões.

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