Durante sessão na Casa Zeferino Nunes, em Lagoa Grande, o vereador Joaquim da Rocinha (PSD) voltou a defender os agricultores impactados pela Reserva do Tatu-Bola e fez duras cobranças ao Governo de Pernambuco. O parlamentar pediu celeridade no envio à Assembleia Legislativa do projeto que altera a categoria da unidade de conservação e afirmou que poderá liderar novas mobilizações caso a proposta continue sem avançar.
Ao comentar o protesto realizado na última semana em Petrolina, organizado pela Associação ASCAMP e produtores rurais da região, Joaquim afirmou que a manifestação teve como objetivo chamar a atenção das autoridades para as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores do campo.
“Eu sei que a gente causou um transtorno muito grande para quem trafegava ali na Ponte Presidente Dutra, muitas pessoas indo trabalhar ou para consultas, mas as pessoas precisam entender o sofrimento que os agricultores não só de Lagoa Grande, mas de todo o Nordeste estão passando”, declarou.
O vereador criticou as fiscalizações e penalidades aplicadas por órgãos ambientais, afirmando que produtores rurais vêm sendo prejudicados em áreas onde suas famílias vivem e trabalham há décadas.
“Os agricultores têm sido maltratados, têm sido enganados o tempo todo com essa reserva ambiental”, disse.
Joaquim ressaltou que defende a preservação ambiental, mas argumentou que é preciso buscar equilíbrio entre a proteção da natureza e o direito das famílias de permanecerem em suas propriedades.
“Eu sou um dos maiores defensores do meio ambiente, mas acredito que a gente precisa unificar duas coisas: a preservação do meio ambiente, mas acima de tudo a preservação do homem no seu estar”, afirmou.
Durante o pronunciamento, o parlamentar voltou a criticar o modelo atual da Reserva do Tatu-Bola, classificada como unidade de proteção integral. Segundo ele, as restrições impostas dificultam a permanência dos moradores e limitam atividades produtivas nas propriedades rurais.
De acordo com o vereador, após reuniões e debates realizados nos últimos anos, foi construída uma proposta para transformar a área em uma Área de Proteção Ambiental (APA) de uso sustentável, permitindo que os agricultores continuem morando, produzindo e preservando o meio ambiente. No entanto, ele afirmou que o projeto ainda não foi encaminhado pela governadora Raquel Lyra à Assembleia Legislativa.
“Infelizmente, até esse momento, a governadora não mandou esse projeto para a Assembleia Legislativa, que é onde precisa ser votado para mudar de categoria”, declarou.
O momento mais contundente do discurso ocorreu quando Joaquim afirmou que, mesmo sendo filiado ao mesmo partido da governadora, poderá liderar um novo movimento de protesto caso a situação permaneça sem solução.
“Sou do partido da governadora, mas se esse projeto não for enviado, eu mesmo vou ser um grande articulador para, no dia que ela estiver aqui no Sertão, a gente fazer um grande manifesto”, afirmou.
O vereador também criticou multas aplicadas a produtores por intervenções realizadas há mais de uma década e defendeu que os órgãos ambientais priorizem ações educativas e de orientação.
“O entendimento do produtor é que, se a lei obriga preservar 20% da propriedade, ele pode produzir nos outros 80%. Então é preciso orientar, explicar como deve ser feito, e não apenas multar”, argumentou.
Por fim, Joaquim relatou casos de propriedades embargadas e de produtores impedidos de utilizar suas áreas para criação de animais, classificando a situação como preocupante.
“Tem porteira lacrada dizendo que você não pode colocar um animal, e multa de R$ 5 mil por dia. A gente precisa abrir os olhos de quem está lá em Brasília para garantir o direito de quem trabalha dignamente na roça”, concluiu.


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