
A Polícia Civil de Pernambuco foi acusada de realizar uma suposta espionagem contra o secretário da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro, em uma operação revelada por reportagem da TV Record no dia 25 de janeiro de 2026. O caso ganhou grande repercussão política e jurídica no estado. O governo estadual nega qualquer irregularidade e afirma que a ação se tratou de uma verificação preliminar, iniciada após denúncia anônima de corrupção envolvendo um veículo oficial do município.
Detalhes da acusação
De acordo com a reportagem, policiais civis teriam monitorado Gustavo Monteiro e seu irmão, Eduardo Monteiro, entre os meses de agosto e outubro de 2025. Durante o período, um rastreador foi instalado em um veículo da Prefeitura do Recife, utilizado por Eduardo. As informações coletadas teriam sido compartilhadas em um grupo de WhatsApp que incluía delegados e agentes da corporação.
Ainda segundo a denúncia, foram utilizadas ferramentas tecnológicas como o Clearview, sistema de reconhecimento facial, para acompanhar deslocamentos e identificar pessoas. A operação teria recebido o nome de “Nova Missão” e tinha como foco a apuração de um suposto esquema de recebimento de propina, que não chegou a ser comprovado.
Resposta do Governo do Estado
Em coletiva realizada no dia 26 de janeiro, a Secretaria de Defesa Social (SDS), comandada por Alessandro Carvalho, rebateu as acusações. A pasta afirmou que não houve instauração de inquérito formal devido à ausência de provas e que a ação se limitou a uma checagem preliminar, considerada legal e respaldada por entendimentos judiciais.
A SDS também informou que o procedimento foi arquivado por inexistência de crime e que está apurando o vazamento das mensagens internas que vieram a público. O governo estadual nega qualquer motivação política ou perseguição a adversários.
Reações políticas e jurídicas
O caso provocou forte reação de políticos de oposição e entidades jurídicas. O Grupo Prerrogativas classificou a suposta operação como “absolutamente inaceitável”, apontando indícios de vigilância clandestina e possível afronta à Constituição Federal.
A deputada federal Maria Arraes cobrou a abertura de investigações independentes para apurar se houve espionagem política por parte da Polícia Civil. Parlamentares também criticaram o silêncio inicial do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual.
Posição da Prefeitura e do sindicato
Em nota, a Prefeitura do Recife repudiou o que chamou de “uso indevido das forças policiais para perseguição política” e informou que avalia a adoção de medidas judiciais e administrativas contra os responsáveis.
Já o sindicato que representa os policiais civis relatou que agentes estariam sofrendo pressão para cumprir ordens consideradas ilegais, alertando para riscos de retaliações internas.
Governo mantém defesa
Mesmo diante das críticas, o governo de Pernambuco reafirma que a atuação da Polícia Civil ocorreu dentro da legalidade, sustentando que a apuração inicial foi motivada por denúncia anônima e seguiu critérios técnicos. A gestão estadual reforça que não houve crime comprovado e que o procedimento foi encerrado oficialmente.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e na imprensa, ampliando o debate sobre limites da atuação policial, uso de tecnologias de monitoramento e possíveis interferências políticas nas instituições de segurança pública.
