
A posse do suplente Wenderson Batista, o Pé de Galo (União Brasil), realizada ontem (12), marcou o retorno do parlamentar à Câmara de Vereadores de Petrolina, mas o ato acabou ganhando um peso político maior do que o esperado. Isso porque a presença e, sobretudo, a fala do ex-senador Fernando Bezerra Coelho (FBC) roubaram a cena e reacenderam especulações sobre possíveis movimentações no tabuleiro político local.
Ao afirmar publicamente que recebeu, “com grande alegria”, a informação de que o ex-prefeito Julio Lossio deseja conversar com ele, FBC lançou uma sinalização clara ao meio político. A sugestão de que o encontro possa ocorrer ainda no final de janeiro foi acompanhada de um discurso estratégico, no qual o ex-senador defendeu que Petrolina precisa “retomar o protagonismo político no Estado e no Brasil”, atribuindo às principais lideranças locais a responsabilidade por esse reposicionamento.
A declaração, no entanto, parece mais um gesto de construção narrativa do que um indicativo concreto de recomposição política. Nos bastidores, a leitura predominante é de que um entendimento político entre Fernando Bezerra Coelho e Julio Lossio — adversários históricos e representantes de projetos antagônicos em Petrolina — está longe de se materializar. Caso o encontro se confirme, a tendência é que tenha caráter institucional e solidário, especialmente diante do delicado quadro de saúde enfrentado por Lossio.
Além disso, sinais recentes reforçam a distância entre os grupos. Julio Lossio Filho, herdeiro político do ex-prefeito, fez duras críticas públicas à possibilidade de aproximação do grupo do ex-prefeito Miguel Coelho (UB) com a governadora Raquel Lyra (PSD), evidenciando resistências internas a qualquer rearranjo que envolva o atual campo governista estadual.
Nesse contexto, a fala de FBC durante a posse parece cumprir mais o papel de marcar posição e manter seu grupo no centro do debate político local do que, propriamente, anunciar uma nova aliança. Por ora, a suposta reaproximação entre FBC e Julio Lossio permanece restrita ao campo das especulações, alimentando o discurso político, mas sem respaldo concreto nos movimentos efetivos dos atores envolvidos.
