A falta de água em Lagoa Grande, no Sertão de Pernambuco, ultrapassou todos os limites do aceitável e já pode ser tratada como um verdadeiro escândalo público. Há semanas, moradores convivem com torneiras secas, caixas d’água vazias e total abandono por parte de quem deveria garantir um dos direitos mais básicos do cidadão: o acesso contínuo à água potável.
O problema não é pontual, nem recente. A irregularidade no abastecimento se repete de forma sistemática, sem aviso prévio, sem explicações oficiais e, principalmente, sem soluções. A população é obrigada a improvisar, a racionar o pouco que resta e, em muitos casos, a recorrer a alternativas precárias para suprir necessidades básicas de higiene, alimentação e saúde. Enquanto isso, o silêncio da empresa responsável e das autoridades soa como desprezo.
O discurso de modernização caiu por terra. Após o leilão da Compesa, em 18 de dezembro de 2025, anunciou-se uma nova fase para o saneamento em Pernambuco, com a promessa de eficiência e melhoria dos serviços. Em Lagoa Grande, a realidade desmente a propaganda. A concessão parcial à iniciativa privada não trouxe benefícios visíveis, e o Governo do Estado, que mantém o controle acionário da companhia, segue diretamente responsável pelo colapso no abastecimento.
A contradição é revoltante: a água não chega, mas a conta chega. As faturas continuam sendo cobradas com rigor, como se o serviço estivesse sendo prestado normalmente. Essa prática escancara o desequilíbrio na relação entre a empresa e o consumidor e reforça a sensação de injustiça vivida diariamente pela população.
O cenário também revela a omissão de gestores públicos e representantes políticos, que parecem assistir passivamente ao sofrimento da população. O abastecimento de água não é um favor, não é um privilégio — é um serviço público essencial, garantido por lei e indispensável à vida e à dignidade humana. Negar esse direito é violar princípios básicos do Estado e da cidadania.
A crise em Lagoa Grande exige mais do que notas genéricas ou promessas vazias. Exige explicações claras, cronogramas públicos, fiscalização rigorosa e responsabilização. O que se vê hoje é uma população abandonada, pagando caro por um serviço que não recebe, enquanto o poder público falha em cumprir seu dever mais elementar.
Como denunciar a falta de água à Compesa:
Os moradores podem registrar reclamações pelo WhatsApp (81) 99488-2336, pela Central de Atendimento 0800 081 0195, pelo App Compesa, pela Agência Virtual em www.compesa.com.br, ou pela Ouvidoria, no telefone (81) 3412-9016. Para registrar, é necessário informar o endereço completo e, se possível, o número da matrícula do imóvel.
Se quiser, posso:

