Fachin defende que juízes tenham integridade na vida pública e privada

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, disse nesta segunda-feira (16) que juízes devem manter integridade na vida pública e privada.

Fachin participou, nesta manhã, de uma aula magna no curso de direito do Centro Universitário de Brasília (Ceub), instituição particular da capital federal.

Ao comentar sobre os desafios contemporâneos da Corte, o ministro disse que os magistrados devem seguir princípios que já fazem parte das normas disciplinares dos juízes. Fachin também afirmou que “ninguém tem uma Constituição para chamar de sua”.

“Há, nada obstante, diretrizes que podem ser recolhidas da experiência e de cartas de princípios nacionais e internacionais. Integridade na vida pública e privada, uma vez que [o magistrado] deve adotar comportamento irrepreensível na vida pública e privada”, disse o ministro.

O presidente também afirmou que os juízes devem ser prudentes ao se manifestarem sobre processos que são submetidos a julgamento e devem recusar o recebimento de vantagens.

“Por isso que é vedado receber benefícios, presentes ou vantagens de pessoas interessadas em processos”, comentou.

Separação dos poderes

Fachin também voltou a defender a separação entre os Três Poderes. O ministro disse que a Corte acumulou “razoável expansão de sua atuação” por determinação da Constituição e ao ser impulsionada pelos debates de outros atores.

“A autocontenção não é fraqueza. É respeito à separação de poderes que, em última análise, é ela própria uma exigência constitucional”, completou.

Código de Ética

Fachin defende adoção de um Código de Ética para os ministros do Supremo. No mês passado, a ministra Cármen Lúcia foi designada para relatar a proposta de criação da norma.

O anúncio sobre a criação de um código de ética ocorreu em meio à investigação sobre o Banco Master e às citações aos nomes dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Agência Brasil

‘Assinei minha sentença de morte’: mulher denuncia ameaças do ex e luta por justiça em Petrolina

Mulher vítima de violência em Petrolina denuncia o ex-marido — Foto: Reprodução / TV Grande Rio

A trabalhadora rural Izabel Cristiana Silva Nascimento não consegue mais ir trabalhar, levar o filho à escola ou fazer caminhadas diárias na zona rural de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Após sofrer ameaças do ex-marido, que não aceita o fim do relacionamento, ela quase foi atropelada e teve a casa onde mora alvejada por tiros.

“Quando eu fui pedir a protetiva, ele ligou dizendo que eu tinha assinado a minha sentença de morte, que ia vir acabar comigo porque ele não estava só”, diz Izabel.

Eles ficaram 25 anos juntos e tiveram dois filhos. Segundo Izabel, o relacionamento sempre foi conturbado, com muitas brigas motivadas por ciúmes e agressões verbais e físicas.

“Já tinha me enforcado, puxado meu cabelo, quebrado coisa dentro de casa, tentado me chutar, várias vezes. Muito ciumento, possessivo. Muito cerceador do meu direito de ir e vir, de fazer o que eu quiser, de vestir o que eu quisesse”, afirma a vítima.

Izabel relata que se tornou prisioneira no relacionamento abusivo e era proibida de usar roupas curtas, decotadas e muita maquiagem. “Se eu fizesse era motivo de muitas brigas. Não podia sair de casa para ir em uma consulta, se eu demorasse estava fazendo alguma coisa errada”.

O casal está separado há quase cinco meses, mas as perseguições e as tentativas de feminicídio começaram há poucos dias, quando Izabel deu entrada no divórcio litigioso. O caso ganhou repercussão depois que a vítima postou um vídeo pedindo ajuda.

Izabel procurou a Delegacia da Mulher de Petrolina duas vezes e denunciou o ex-companheiro. A medida protetiva foi expedida na última sexta-feira (6). Em um ato de coragem, a trabalhadora rural decidiu mostrar o rosto para incentivar outras mulheres que vivem a mesma situação.

“Eu não temo só por mim. Quantas mulheres não passam por isso que estou passando, hoje, agora, nesse momento? Quantas mulheres estão sendo espancadas dentro de uma casa, impedidas de ir e vir, trabalhar?”, questiona.

Mesmo abalada, Izabel luta por justiça e pelo direito de ser uma mulher livre.

“Eu estou me mostrando por um motivo de proteção, porque eu sei que se acontecer alguma coisa comigo vai ter sido ele ou alguém que mandou fazer e porque eu sei que tem várias pessoas passando por isso. A gente não tem que se calar, a gente tem que falar. Estamos em uma sociedade livre onde temos o direito de fazer o que a gente quiser”.

Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas de forma anônima pelo Ligue 180, canal de atendimento que funciona 24 horas por dia em todo o Brasil.

G1/Petrolina

Dino barra pedido da PF para afastar Fernando Filho em operação sobre emendas parlamentares

Dino decide suspender pagamentos de R$ 4,2 bi em emendas e manda PF investigar liberação de verbas
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, negou o pedido da Polícia Federal para afastar o deputado federal Fernando Filho (União Brasil-PE), um dos alvos da operação deflagrada nesta quarta-feira (25).

Além de rejeitar o afastamento do parlamentar, o ministro também indeferiu as medidas que incluíam a proibição de participação em processos licitatórios, interceptação telefônica e quebra de sigilo bancário.

A ação faz parte da Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares e fraudes em licitações.

Entre os alvos da investigação estão ainda o ex-senador Fernando Bezerra (MDB-PE), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o atual prefeito do município, Simão Durando.
Segundo a Polícia Federal, a operação apura crimes como frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em contratos administrativos, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O caso segue sob investigação e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias.

Presidente da Câmara de Sobradinho(BA) é preso em operação que investiga fraude em licitações

O presidente da Câmara de Vereadores de Sobradinho, no Sertão do São Francisco, Edson Cardoso dos Santos (PSD), foi preso nesta quarta-feira (25) durante a Operação Kit Dispensa, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia. Outras seis pessoas também foram detidas na ação, que apura um suposto esquema de fraudes em processos licitatórios na Câmara Municipal de Sobradinho.

Conhecido como “Cachoeira do Bolo”, o vereador foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e também é alvo de mandado de prisão temporária por crimes contra a administração pública. Além dele, um assessor também foi atingido por medidas cautelares.

A Justiça determinou o afastamento do presidente da Câmara e do assessor das funções públicas pelo prazo de 90 dias, com o objetivo de evitar possíveis interferências no andamento das investigações.
A Operação Kit Dispensa foi coordenada pela delegacia de Sobradinho, com apoio de equipes dos municípios de Casa Nova e Juazeiro, além de unidades especializadas e dos Grupos de Apoio Técnico e Tático à Investigação (GATIs) das coordenadorias regionais de Juazeiro e Senhor do Bonfim.

As investigações continuam, e todo o material apreendido durante a operação foi encaminhado para perícia.

PF cumpre mandado na prefeitura de Petrolina em operação que mira Fernando Bezerra Coelho e filhos

Sede da prefeitura de Petrolina é alvo de mandado de busca e apreensão — Foto: Montagem/g1

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (25), mandado de busca e apreensão na sede da prefeitura de Petrolina, no Sertão. A investigação tem como alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e dois filhos dele, o deputado federal Fernando Filho (União Brasil) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).

Imagens obtidas pelo g1 mostram o momento em que viaturas da PF chegam à prefeitura, no Centro da cidade. A Operação Vassalos apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo verba de emendas parlamentares destinadas a municípios.

Policiais federais cumprem mandado na prefeitura de Petrolina — Foto: Montagem/g1

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco e na Bahia, além de São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

De acordo com a PF, uma organização criminosa desviava verba de emendas por meio do direcionamento de licitações para empresa uma vinculada ao grupo.

Os valores desviados, segundo a investigação, eram eram encaminhados para o pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.

A defesa da família Coelho afirmou que ainda “não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino” e que “os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares”. Disse, ainda, que irá se manifestar após o acesso aos autos.

A prefeitura, por meio da Procuradoria Geral do município, informou que também não teve acesso à decisão do STF e que “os mandados não apresentaram as justificativas para as ações da Polícia Federal”.

G1