O Açude Saco II, um dos principais reservatórios hídricos do Sertão do São Francisco, entrou em colapso total em decorrência da estiagem prolongada que atinge a região. A situação tem provocado sérios prejuízos à agricultura, à criação de animais e à atividade pesqueira, afetando diretamente a economia e a subsistência de centenas de famílias.
Construído pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na década de 1960, o açude está localizado no Riacho das Graças, na divisa entre os municípios de Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista. Com capacidade de armazenamento de aproximadamente 123 milhões de metros cúbicos de água e cerca de 36 quilômetros de extensão, o reservatório sempre teve papel estratégico no abastecimento hídrico e no desenvolvimento produtivo da região.
De acordo com registros históricos, o Açude Saco II verteu pela última vez em 2004. Desde então, a redução gradual do volume de água, agravada pela irregularidade das chuvas, culminou no atual cenário de colapso hídrico.
O esvaziamento do reservatório tem causado impactos severos na produção agrícola, na manutenção de rebanhos e na pesca, comprometendo a renda de agricultores, criadores e pescadores. Além dos prejuízos econômicos, comunidades rurais passaram a depender cada vez mais de ações emergenciais de abastecimento, especialmente da operação carro-pipa.
Diante da gravidade da situação, moradores e produtores cobram medidas urgentes do poder público. Entre as principais reivindicações estão a ampliação da operação carro-pipa, a perfuração de poços artesianos e a implantação de uma adutora, apontada como solução estrutural para garantir segurança hídrica e permitir a permanência das famílias no campo.
A população alerta que, sem ações imediatas e definitivas, o colapso do Açude Saco II pode aprofundar ainda mais a crise social e econômica no Sertão do São Francisco.


